Um método baseado em evidências

 

 

O Método Evolutivo é formado por três pilares: Alimentação, Atividades Física e Repouso. Os programas de treinamento usados no pilar Atividade Física e as recomendações dos pilares Alimentação e Repouso são baseadas em dois fundamentos. Estes fundamentos são a Abordagem Evolutiva (tema abordado em uma postagem anterior) e a Ciência Baseada em Evidência.

 

Utilizar a ciência baseada em evidência para formular treinamentos e recomendações significa usar os dados disponibilizados pela ciência juntamente com a prática de cada profissional do Método Evolutivo para elaboração de programas que levem a aptidão física e a saúde.

 

A utilização da ciência baseada em evidência é importante, pois durante muito tempo a elaboração de programas de treinamento e recomendações sobre repouso e alimentação foram baseadas somente na experiência prática e na autoridade dos profissionais envolvidos. Fato esse que aconteceu também na medicina e em outras áreas da saúde.

 

É esse o motivo pelo qual muitas vezes recebemos uma informação de um profissional e outra informação de outro profissional. Quantas vezes ouvimos que o melhor exercício é natação, logo em seguida passa a ser Pilates. Ou que o ovo é um alimento perigoso devido ao colesterol, e algum tempo depois ele é um dos melhores alimentos do mundo.

 

Acredito que uma das informações mais vinculadas em relação a saúde é que uma elevada ingestão de carne aumenta o risco cardiovascular e outros problemas de saúde. Porém, evidências científicas que vem se acumulando nos últimos anos e que foram reforçadas por um importante estudo publicado em novembro deste ano, mostram que a ingestão de carne não tem relação com o aumento do risco de uma pessoa morrer de algum tipo de doença do coração.Nossa mensagem final é que nós do Método Evolutivo estamos empenhados em fazer aquilo que chamamos de Educação Física e Fisioterapia baseadas em Evidências. Acreditamos que dessa forma conseguimos oferecer um programa de condicionamento físico e saúde com o maior potencial de efetividade.

 

Grande abraço,

Carlinhos.

 

Caso você esteja interessado em ler mais sobre esse tema, a seguir apresento um texto onde o tema citado acima é aprofundado.

Por favor, após a leitura deixe seu comentário.

 

Mais sobre Ciência Baseada em Evidência

 

Podemos dizer que a utilização da ciência e suas evidências na prática de profissionais da saúde começou com um movimento médico chamado Medicina Baseada em Evidência (MBE), movimento esse que pode ser definido como a aplicação do método científico na prática médica. É possível afirmar que MBE tenha tido sua origem no ano de 1972, quando o médico e professor Escocês Archibald Leman Cochrane lançou o livro Effectiveness and Efficiency: Random Reflections on Health Services (Eficácia e Eficiência - Reflexões aleatórias sobre Serviços de Saúde).

 

A MBE surgiu, pois por muito tempo a medicina foi sustentada pelas experiências pessoais e na titulação acadêmica dos profissionais envolvidos, e surgiu com intuito de orientar as tomadas de decisões sobre os cuidados em saúde e a busca das melhores evidências científicas [1]. Isso significa que a forma como a medicina era feita antes era ruim? Claro que não! Esse método baseado na experiência pessoal foi responsável por grandes avanços como a descoberta da penicilina. Porém é inegável que uma mudança de ênfase da prática clínica não sistematizada para uma observância criteriosa dos métodos pelos quais as informações médicas são obtidas [1] pode trazer inúmeros benefícios.

 

O primeiro grande passo para compreendermos as evidências científicas é conhecermos os tipos de evidências existentes e sua hierarquia. Observe a figura que segue.

 

 

 

Basicamente os estudos podem ser divididos em duas categorias, observacionais e experimentais.

 

Os estudos observacionais são utilizados para descrever a ocorrência de um determinado evento ou doença e também avaliar se essa ocorrência é diferente entre indivíduos expostos e não expostos a um determinado fator ou situação. Assim, os estudos observacionais são utilizados para levantar hipóteses, como verificar quais fatores de risco estariam ligados à determinada doença (correlação), porém eles não podem ser utilizados  para determinar uma relação de causa e efeito.

 

Os estudos experimentais se caracterizam por três pontos importantes, a randomização (aleatório), controle e manipulação [2]. Eles são utilizados para comparar determinado tipo de intervenção com outra. A colocação aleatória dos participantes em um dos grupos do estudo (experimental ou controle) garante que cada indivíduo tenha a mesma probabilidade de pertencer a um dos dois grupos. Com isso a tendência de algum fator interferir no resultado do estudo acaba eliminada [2]. Os estudos experimentais são considerados o padrão ouro para elaboração das evidências científicas. O padrão ouro pode ser definido como o método, procedimento ou medida largamente aceita como sendo a melhor.

 

É importante que tenhamos a noção de que as informações que são criadas com um estudo observacional e um estudo experimental são diferentes. Os estudos observacionais são capazes de levantar hipótese, por outro lado os estudos experimentais avaliam as hipóteses e ajudam a determinar qual a melhor abordagem para determinada situação.

 

Os resultados de determinado estudo, seja experimental ou observacional, podem não ser iguais aos resultados de outro estudo que tenha investigado o mesmo tema. Isso, juntamente com as características de cada tipo de estudo, leva ao questionamento de qual é a melhor evidência disponível? Parece consenso que uma revisão sistemática da literatura e a combinação dos dados estatísticos de diferentes estudos sejam o melhor caminho para essa determinação [3].

 

A primeira tentativa de fazer essa revisão da literatura com a combinação de dados de diferentes estudos, chamada de metanálise, ocorreu em 1904 [4], quando Karl Pearson combinou os resultados de cinco estudos sobre febre entérica (causada pela Salmonella). As metanálises possuem a capacidade de síntese das informações disponíveis sobre um tema levando a uma idéia mais abrangente sobre qual seria a melhor abordagem a respeito de uma determinada questão.

 

A seguir mostro os resultados de dois diferentes estudos [5,6] sobre o tema risco cardiovascular e a ingestão de carne e gordura saturada.

 

O primeiro deles é um estudo observacional que suporta a informação de que uma elevada ingestão de gordura saturada deve ser substituída pela ingestão de gorduras insaturadas, carboidratos complexos e proteínas de origem vegetal [5].  O segundo estudo [6], que é uma metanálise, mostrou que a ingestão de carne vermelha (que contém gordura saturada e colesterol) não está associada com aumento dos lipídios sanguíneos, pressão arterial e maior risco cardiovascular.

 

A intenção deste texto não é abordar o tema risco cardiovascular e alimentação, mas sim mostrar como as evidências científicas são importantes para a determinação das intervenções e o desenvolvimento das recomendações do Método Evolutivo.

 

Espero que eu tenha conseguido esclarecer um pouco o que é a Ciência Baseada em Evidências, que juntamente com a Abordagem Evolutiva, constituem a fundamentação do Método Evolutivo.

 

Grande abraço,

Carlinhos.

 

Referências:

 

[1] Atallah NA, Castro AA. Medicina Baseada em Evidências: o elo entre a boa ciência e a boa prática clínica. Acessado em 29/11/16 em http://www.centrocochranedobrasil.org.br/apl/artigos/artigo_520.pdf

 

[2] Dutra HS, dos Reis VN. 2016.  Desenhos de Estudos Experimentais e Quase-Experimentais: Definições e Desafios na Pesquisa em Enfermagem. DOI: 10.5205/reuol.9199-80250-1-SM1006201639

 

[3] Rodrigues CL, Ziegelmann PK. Metanálise: Um Guia Prático. METANÁLISE: UM GUIA PRÁTICO. ISSN: 2357-9730

 

[4] Karl P. 1904. Report on Certain Enteric Fever Inoculation Statistics. PMCID: PMC2355479

 

[5] Zong G, et al. 201. Intake of individual saturated fatty acids and risk of coronary heart disease in US men and women: two prospective longitudinal cohort studies. doi: http://dx.doi.org/10.1136/bmj.i5796

 

[6] O'Connor LE, et al, 2016. Total red meat intake of ≥0.5 servings/d does not negatively influence cardiovascular disease risk factors: a systemically searched meta-analysis of randomized controlled trials. DOI: 10.3945/ajcn.116.142521

 

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