Cuidado com o glúten! E com os alimentos sem glúten!

 

Quando falamos sobre alimentação com nossos alunos uma das nossas recomendações é:

  • Evite o uso de açúcar e alimentos com glúten. A ciência já demonstrou a relação entre esses alimentos e os problemas cardíacos, diabetes, doenças neurológicas degenerativas e outros males modernos. (Para ler todas as recomendações clique aqui.)

Então nossos alunos nos perguntam sobre a possibilidade de substituir os alimentos feitos com grãos, que contenham glúten, pelos alimentos sem glúten (gluten free) como os que aparecem na figura abaixo.

 

 

 

Nessa situação recomendamos que os alunos substituam os alimentos com glúten por “comida de verdade”, sem glúten, como os que aparecem na próxima figura.

 

 

A nossa escolha pelos alimentos de verdade se dá porque os alimentos processados à base de grãos não contêm trigo, mas isso não significa que eles sejam bons para nossa saúde. Na realidade, eles podem ser ainda piores. Muitas pessoas cometem o equívoco de achar que os produtos sem glúten são uma escolha mais saudável do que aqueles feitos de trigo. Isto ocorre devido a uma combinação de ciência ruim, mídia e marketing.

 

Os produtos à base de grãos sem glúten nunca foram uma escolha saudável. A maioria deles são ultra processados (conheça os grupos de alimentos clicando aqui), possuem elevadas quantidades de carboidratos e muitas vezes apresentam índices glicêmicos mais altos do que os produtos feitos com trigo. Além de apresentarem adição de açúcar e outros ingredientes insalubres. Na verdade, cerca de 75 por cento de todos os alimentos embalados contêm açúcar adicionado, e mesmo aqueles sem açúcar possuem alto índice glicêmico (vão se transformar em açúcar rapidamente após a digestão).

 

Outro problema da escolha por alimentos “gluten free” é que eles podem ser responsáveis pelo aumento dos níveis corporais de metais pesados como o chumbo, arsênio, cádmio e o mercúrio. Níveis elevados destes metais podem estar associados com o aumento do risco cardiovascular [1], infertilidade feminina [2] e problemas durante a gestação [3,4].

 

Mesmo que os alimentos “gluten free” sejam evitados, é importante ressaltar que o trigo e outros grãos de cereais contêm glúten, uma proteína difícil de digerir para muitos e que pode causar problemas autoimunes, alérgicos e outros. Para aqueles que têm doença celíaca é imperativo que eles não comam trigo ou produtos de trigo.

 

Em um trabalho [5] publicado em Fevereiro deste ano, após analisarem 115 indivíduos que faziam uso de uma dieta com alimentos sem glúten os autores concluíram que estas pessoas apresentavam níveis significativamente maiores de arsênio na urina, assim como os níveis sanguíneos de mercúrio, chumbo e cádmio do que as pessoas que não evitavam glúten.

 

Além dessa associação,  também deve ser observado que os grãos também contêm quantidades significativas de gorduras poliinsaturadas. Quando o grão é processado, estas gorduras começam a oxidar imediatamente, contribuindo tanto para desequilíbrios insalubres das gorduras corporais (ômega-6 em excesso) e como também para o estresse oxidativo gerado pelos radicais livres.

 

Uma alteração na alimentação deve centra-se na eliminação de alimentos ultraprocessados e comida lixo, assim como você deve encontrar seu nível de tolerância aos carboidratos. A maioria dos produtos feitos de grãos tende a ter uma alta concentração de carboidratos. Comer carboidratos força o corpo a produzir mais insulina, que por sua vez promove armazenamento de gordura e queima de açúcar às custas de utilização de gordura. É por isso que os alimentos baseados em grãos são contribuintes importantes para a pandemia do excesso de gordura e obesidade.

 

Se você deseja retirar os grãos de sua dieta, considere cortar que pães, bolos, panquecas e até mesmo sobremesas. Porém observe que os mesmos podem ser feitas usando alternativas mais saudáveis como amêndoas moídas e farinha de coco e outras.

 

Sem glúten ou não, os alimentos à base de grãos não devem constituir a base de uma dieta para maioria das pessoas, não temos certeza se nem para uma minoria. Não importa realmente com que grãos estes produtos se você realmente quer fazer uma reeducação alimentar, faça através dos alimentos de verdade. Esse é nosso principal recado.

 

Para maiores informações sobre alimentação, repouso e atividade física seja um Praticante do Método Evolutivo e acesse nossa página exclusiva.

 

Abraços

Carlinhos.

 

Referências

 

  1. Mordukhovich I, et al. 2012. Associations of toenail arsenic, cadmium, mercury, manganese, and lead with blood pressure in the normative aging study. DOI: 10.1289/ehp.1002805

  2. Tanrıkut E, et al. 2014. Role of endometrial concentrations of heavy metals (cadmium, lead, mercury and arsenic) in the aetiology of unexplained infertility. DOI: 10.1016/j.ejogrb.2014.05.039

  3. Reeuwijk NM, et al. 2013. Levels of lead, arsenic, mercury and cadmium in clays for oral use on the Dutch market and estimation of associated risks. DOI: 10.1080/19440049.2013.81129

  4. Sakamoto M, et al. 2012. Changes in body burden of mercury, lead, arsenic, cadmium and selenium in infants during early lactation in comparison with placental transfer. DOI: 10.1016/j.ecoenv.2012.07.014

  5. Raehsler SL, et al. 2017. Accumulation of Heavy Metals in People on a Gluten-Free Diet. DOI: 10.1016/j.cgh.2017.01.034

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