Estaria na hora de reavaliar o tratamento? Uma reflexão sobre a COVID-19.

Quando um medicamento e/ou tratamento é prescrito ele é escolhido pelo médico considerando uma série de fatores. Como sua eficácia e também a possibilidade de efeitos colaterais conhecidos e de repercussões negativas desconhecidas.


O paciente é então acompanhado e o tratamento alterado, se necessário.


Seria possível que esse mesmo tipo de abordagem fosse utilizada para avaliarmos as medidas tomadas pelos gestores públicos em relação à COVID-19?


Na postagem de hoje quero relatar um trabalho [1] que me parece interessante e que pode nos levar a reflexões importantes sobre esse tema.


Esse trabalho teve como objetivo avaliar os efeitos das restrições para o combate da COVID-19 sobre a nutrição, a atividade física, o consumo de álcool e o tabagismo entre a população do Zimbábue com idade igual ou superior a 18 anos.


Para isso foi realizada um pesquisa online através de questionários para coleta dos dados demográficos, do sistema alimentar, padrões de dieta, atividades física, estresse e ansiedade, percepção da imagem corporal, tabagismo, tempo de utilização de aparelhos eletrônicos e acesso aos serviços de saúde.


Foram avaliadas 507 (63% do sexo feminino), com idades entre 31 e 40 anos que possuíam ensino superior.


As restrições impostas pela pandemia de COVID-19 geraram em aumento nos preços dos alimentos e diminuição na disponibilidade de alimentos nutritivos.


A maioria (62,5%) dos participantes relatou uma redução nos níveis de atividade física, foi identificada uma prevalência de Transtorno de Ansiedade Generalizada (TAG) de 40,4%, afetando principalmente as mulheres na faixa etária de 31 a 40 anos.


Considerando o Índice de Massa Corpora (IMC), 44,5% ganharam peso, 24,3% perderam peso e 31,2% não apresentaram alteração. Houve um aumento significativo no peso corporal percebido.


Mais da metade (59,6%) relatou ter dificuldades para acessar medicamentos.


Os autores concluíram que o período de confinamento foi associado com o aumento dos preços dos alimentos, diminuição da diversificação alimentar, estresse elevado, interrupção de uma dieta saudável e alterações nos padrões de consumo.


Concluíram também que os níveis de atividade física foram reduzidos e o peso percebido aumentou juntamente com o risco de sobrepeso e obesidade.


Estas informações quando analisadas considerando a relação de risco entre o sobrepeso e a obesidade com as doenças virais, incluindo a COVID-19, já descritas pela literatura científica [2] nos faz pensar sobre a necessidade de reconsideração das medidas adotadas pelos gestores públicos.


Este estudo [1] está em fase preliminar de publicação. Quando esta for concluída, uma avaliação mais aprofundada dos seus resultados e a observações de outros dados nos possibilitará determinar se as restrições utilizadas até aqui são capazes de gerar repercussões negativas indesejadas, fazendo com seja primordial a realização de alterações para que as mesmas realmente sejam eficientes no que diz respeito à redução do risco de contágio pela COVID-19 e também em relação às questões econômicas, sócias e de saúde geral da população.


Grande abraço,

Carlinhos


Referências

[1] Matsungo TM, Chopera P. 2020. The effect of the COVID-19 induced lockdown on nutrition, health and lifestyle patterns among adults in Zimbabwe. https://doi.org/10.1101/2020.06.16.20130278

[2] https://www.metodoevolutivo.com/single-post/2020/06/02/Teria-a-COVID19-menor-impacto-nos-anos-de-1970

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