Treinamento de Força e Dor Crônica

Dores que duram mais de 3 meses, são chamadas de dores crônicas.
As regiões mais afetadas são ombros, lombar e joelhos.
O treinamento de força tem efeitos positivos sobre a dor crônica.
Em relação a dor lombar o treinamento de força é superior aos tratamentos médicos utilizados isoladamente.
O treinamento de força também é capaz de reduzir as dores geradas pela fibromialgia,.

Atualmente a dor crônica nas costas, pescoço, ombros, joelhos e quadril são cada vez mais comuns na população em geral. A dor crônica pode ser definida com aquela dor que persiste em uma determinada região por mais de 3 meses.


Esse tipo de condição tem um grande impacto sobre o individuo, diminuindo sua capacidade funcional, assim como diminuindo suas interações sociais. Sendo estes efeitos negativos ainda mais significativos para os adultos mais velhos e idosos.


Existem evidências significativas dos efeitos positivos do treinamento de força sobre a dor crônica na região lombar (1, 2), no pescoço (3, 4), nos ombros (5), na dor gerada pela osteoartrite do joelho (6) e também sobre as dores da fibromialgia (7).


Dor Lombar

Quando o treinamento de força é comparado com o treinamento aeróbico, os dois métodos de treinamento se mostram efetivos na diminuição da intensidade da dor (1), porém somente o treinamento de força é capaz de melhorar os escores de bem estar psicológico de indivíduos de ambos os sexos com dor lombar (1). Além disso, o treinamento de força é superior a outros tipos de intervenção (2), como tratamentos médicos, eletroterapia e terapias manipulativas usadas isoladamente.


Cervical e Ombros


No tratamento da dor crônica na região cervical o treinamento de força, assim como para a dor lombar, também se mostrou mais efetivo do que o treinamento aeróbico (3) quando eram utilizados exercícios de força isométricos (sem movimento) e exercícios utilizando elásticos. É importante citar que uma redução na média de dores de 25% e das dores mais intensas em 46% é possível com sessões de exercícios de apenas 10 minutos (4).


As evidências também apontam para um benefício do treinamento de força na dor crônica do ombro (4,5), tanto para quando a causa da dor são as atividades profissionais em escritório ou quando a causa é uma lesão no manguito rotador (5).


Osteoartrite no Joelho


Em adultos e idosos acima do peso e com hábitos de vida não saudáveis, como a o sedentarismo, é comum dores na articulação do joelho gerada por uma doença degenerativa chamada de osteoartrite. O treinamento de força para os membros inferiores apresentam um eficácia reconhecida na redução da intensidade dessas dores e na melhora da funcionalidade desta articulação (6). Isso torna-se ainda mais importante quando sabemos que essa doença é considera hoje sem cura.


Fibromialgia

Fibromialgia é caracterizada por dor musculoesquelética crônica, generalizada e atualmente não há cura para essa patologia. Contudo existem tratamentos paliativos e o treinamento de força é um deles.


Uma revisão (8) de estudos realizados no Brasil, EUA, Finlândia e Suíça mostrou que o treinamento de força reduz o número de pontos de dor, a fadiga, a depressão e a ansiedade gerada pela fibromialgia. Ele também é capazde melhorar a qualidade do sono e a qualidade de vida em períodos de treinamento que variam de 3 a 21 semanas, realizando pelo menos 2 sessões por semana.


Como o treinamento de força é capaz de gerar esses efeitos positivos?


Pesquisas apontam para a existência de um efeito analgésico (alívio da dor) do exercício, quando o exercício de força é realizado regularmente ele age tanto de forma aguda, como crônica quando realizado regularmente.


Ainda não são conhecidos os mecanismos exatos de como o exercício age sobre a dor. As pesquisas até agora sugerem a existência de três mecanismos possível (8).

O primeiro mecanismo está relacionado com a parte endócrina, seria gerado um efeito central sobre a dor através da liberação de hormônios moduladores da dor.


O segundo faria com que nosso cérebro passe a encarar de forma diferente a ameaça e/ou o medo de o movimento ser um gerador de dor.


E finalmente, o treinamento de força possivelmente gera uma série de mudanças fisiológicas em níveis celulares capazes de amortecer áreas com mais sensibilidade à dor.


Considerações Finais


Mesmo que os mecanismos que levam a melhora na dor crônica através do treinamento de força ainda não sejam completamente conhecidos, as evidências apontam para uma boa eficácia desse tipo de exercícios na redução da intensidade da dor e na melhora funcional de diferentes regiões corporais. Por essa razão o treinamento de força deve ser considerado uma excelente opção de tratamento para esse tipo de condição.


Grande abraço,

Carlinhos


Referências


[1] Wewege M, 2018. Aerobic vs. resistance exercise for chronic non-specific low back pain: A systematic review and meta-analysis. DOI: 10.3233/BMR-170920


[2] Searle A, 2015. Exercise interventions for the treatment of chronic low back pain: a systematic review and meta-analysis of randomised controlled trials. DOI: 10.1177/0269215515570379


[3] Li X, et al. 2017. Comparison of the effectiveness of resistance training in women with chronic computer-related neck pain: a randomized controlled study. DOI: 10.1007/s00420-017-1230-2


[4] Saeterbakken A, et al. 2020. Dose-response of resistance training for neck-and shoulder pain relief: a workplace intervention study. ISRCTN69968888


[5] Naunton J, et al. 2020. Effectiveness of progressive and resisted and non-progressive or non-resisted exercise in rotator cuff related shoulder pain: a systematic review and meta-analysis of randomized controlled trials. DOI: 10.1177/0269215520934147


[6] Nguyen C, et al. 2016. Rehabilitation (exercise and strength training) and osteoarthritis: A critical narrative review. DOI: 10.1016/j.rehab.2016.02.010


[7] Andrade A, et al. 2018. A systematic review of the effects of strength training in patients with fibromyalgia: clinical outcomes and design considerations. DOI: 10.1186/s42358-018-0033-9


[8] Smith B, et al. 2019. Musculoskeletal pain and exercise—challenging existing paradigms and introducing new. DOI: 10.1136/bjsports-2017-098983

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